10 maio 2010

Mamom com açúcar ou piedade cristã?

“Eles supõem que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade é grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar”. (I Timóteo 6:6)

É interessante ver a forma objetiva com que Paulo instrui aos discípulos através das cartas. Ele foi um doutrinador, no melhor sentido da palavra e aqueles que o seguiam, recebiam de maneira clara seu entendimento e visão do Evangelho, primando sempre por trazer à memória dos cristãos os princípios fundamentais existentes na vida de Cristo, segundo sua própria interpretação.

Sua capacidade de transmitir através de palavras e diretrizes sua fé e a universalidade de sua doutrina sobre o Evangelho de Jesus, certamente foram os fatores decisivos que o transformaram na figura mais importante do Cânon neo testamentário.

Em I Timóteo 6, o apóstolo ressalta um dos fundamentos que devem basear nossa fé, que é a piedade. Piedade é a maneira prática de viver e testemunhar o verdadeiro Evangelho de Cristo, demonstrando através de nossos atos uma doutrina de vida saudável.

Nesse sentido, Paulo orienta a não nos deixar levar por doutrinas doentias, como por exemplo, aquelas que conduzem ao desejo desenfreado por lucro e ao amor pelo dinheiro, pois elas se fundamentam na idolatria e geram invejas, brigas, blasfêmias, corrupção e mentiras arruinando nossa vida de comunidade.

No modelo de piedade que temos na pessoa de Jesus, vemos que Ele sendo rico, se fez pobre e como filho de Deus, não usurpou o ser igual a Deus, mas esvaziou-se dessa condição suprema a fim de igualar-se aos homens. Sua sabedoria lhe fez fugir da ambição carnal, assumindo um compromisso firme com a realidade dos necessitados.

É interessante observar que em nossa geração somos estimulados por alguns dos grandes líderes da cristandade atual a ambicionar cada vez mais lucro e enriquecimento, como se tais coisas fossem boas para demonstrar nossa saúde espiritual. Alguns chegam ao ponto de declarar abertamente que o volume de nossas posses dão testemunho da medida de nossa fé, o que chamam de prosperidade.

Mas não é o que diz este texto de I Timóteo!

Curiosamente, Paulo está declarando que devemos fugir desse tipo de interesse, pois o tal pode nos afastar da fé genuína. Vai além, dizendo que a ganância aflige e atormenta aos que a buscam.

Por mais benefícios que o dinheiro possa trazer ao ser humano, não pode, contudo, ocupar lugar tão destacado em nossas vidas, pois, conforme está escrito, o amor por ele é a raiz de todos os males.

Concluindo e sabendo que posso ser mal interpretado por muitos que vierem ler esta minha reflexão, entendo que a piedade cristã deve nos conduzir a um procedimento de vida que Paulo chamou aqui de contentamento. Os versículos 7 e 8 dizem assim: “Pois não trouxemos nada para o mundo, e dele nada podemos levar. Se temos o que comer e com o que nos vestir, estejamos com isso contentes”.

Estar contente com aquilo que tem, ser grato com o que Deus já nos proporcionou não é, a meu ver, uma postura acomodada, como muitos podem pensar. É sim uma postura profética de fé e gratidão, baseada na esperança de que Deus, como nosso Pai, é aquele que sustenta e dá a provisão que necessitamos, pois a verdadeira prosperidade espiritual não está caracterizada pelo muito que alguém possa ter, mas pela encarnação das virtudes que estavam na vida de Cristo na vida da Igreja.

rafa,

na revolução

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Li no blog Amigo do Noivo

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