14 agosto 2009

Empurradores de moral


Caverna é a antítese da igreja de nossos dias. Antes de tudo, uma caverna não é um lugar confortável, repleto de pessoas bem vestidas com roupas de grife, que estacionam seus carrões em um estacionamento subterrâneo ou contiguo; leitoras da bíblia NVI e dos livros da moda, tais como: “Por que você não quer mais ir à igreja” ou “Viciados em mediocridade”. Na Caverna não há um pastor efetivo, cercado de obnóxios por todos os lados, com seu diploma do mestrado, expedido na metodista, pendurando na parede do seu gabinete pastoral. Aliás, na Caverna não há gabinete pastoral. O único gabinete existente é a própria Gruta onde só se vê estalactites e estalagmites, por todos os lados. O que mais se parece com um pastor na Caverna é um cara destruído por sua insistência compulsória em nadar contra a corrente da falsa moral. O resto é pedra e água. É bom lembrar que Jesus tinha em mente construir sua igreja em uma Caverna, ou você não lembra que ele disse: “sobre essa pedra edificarei minha igreja”. Não precisamos de um estacionamento, pois não temos carro. Alguns andam em motos 125 cc, por aí, sob o risco de morrer na marginal. Tampouco temos espaço para armar uma grande tenda, enche-la de cadeiras de plástico desconfortáveis e um big púlpito de acrílico sobre um palco . Na Caverna, dificilmente as pessoas sentam e, quando o fazem, é no chão mesmo, em outras palavras, no pó. Nas igrejas da moda busca-se o bem em detrimento do mal, enquanto na Caverna queremos a verdade, posto sermos um bando de pessoas cansadas dessa gente repleta de bem que nos faz tanto mal e nos privam da verdade. Nossas bíblias sem marcas estão sendo desconstruídas por nossa experiência e pelas falácias teológicas e filosóficas inconsistentes dessa gente cheirosa, sempre importadas do reino do norte. Nós sabemos o quanto nos distanciamos deles quando falamos de nossa situação financeira a perigo, de nossa saúde capenga ou de quaisquer outras de nossas mazelas. Na Caverna não há vencedores, aliás, eles nem sabem onde estamos. Por outro lado não há perdedores, pois não temos com quem competir. Aqui não nos envergonhamos quando nossa despensa está vazia, nem mesmo estranhamos a lágrima vertida diante da ação bondosa representada por uma mão tremula estendida em favor de alguém caído. Nem sequer precisamos estar em algum buraco da terra para estar na Caverna. Na verdade, Caverna é nossa verdade, muito mais do que um lugar. Talvez nós sejamos os viciados em mediocridade e, certamente, as pessoas que não querem mais ir à igreja. Afinal, se ser medíocre é não querer fazer parte do bem e do mal deles, certamente nós os somos, seus protagonistas prediletos. Qual é a moral deles? Sim porque eles querem nos fazer engoli-la. Deus está ao lado dos vencedores? Então não quero nada com Deus. Não falo por mim, mas se há um Deus, ele viria em favor dos doentes e não dos sãos, então é desses a quem me refiro. A Igreja de nossos dias não precisa mais de um salvador. Seus pastores se bastam como tal. São emanueis montados em suas Harleys e vestidos em seus mantos La Coste. Mas os membros dessas igrejas nos visitam e até nos dão esmolas, vez em quando, só não nos convidam para cear com eles, pois poderíamos envergonhá-los com nosso cheiro e nossa roupa desgastada. Procuram-nos por alguma profecia ou um resquício de verdade. Tenho uma coisa liquida e certa, a verdade não é o maniqueísmo, nem o dos tempos de Agostinho e muito menos o atual. A verdade será Cristo?

Vi no blog Tomei a pílula vermelha
Via blog Caverna do Lou

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